Sindicalista Luiz Cláudio Bitencourt narra trajetória pessoal e defende reindustrialização de São Gonçalo
- Apologia Brasil

- há 2 horas
- 2 min de leitura
Funcionário do estaleiro Mauá há 25 anos e presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói, autor analisa as dificuldades de uma cidade que exporta mão de obra e clama por desenvolvimento local

Nascido e criado no bairro da Trindade, Luiz Cláudio Mendonça Bitencourt é testemunha viva das contradições de São Gonçalo. Em ensaio autobiográfico, o sindicalista percorre sua história pessoal para denunciar a realidade de uma cidade que, embora tenha sido um polo industrial no passado — a "Manchester Fluminense" —, há décadas vive à mercê da falta de investimentos e da política que a trata como mero dormitório.
Bitencourt relata a infância nos anos 1980 e 1990, vendo a mãe e amigos sobreviverem de trabalhos informais e pouco remunerados. Aos 13 anos, já estudava à noite; aos 18, abandonou a escola para buscar o primeiro emprego formal fora do município.
"São Gonçalo foi condenada a ser o lugar que abriga um grande exército de mão de obra sempre pronta a ser chamada", afirma, lembrando as madrugadas em ônibus piratas lotados de "biscateiros" rumo à zona sul do Rio.
Hoje funcionário do estaleiro Mauá há 25 anos, o autor destaca que cerca de 90% dos trabalhadores dos estaleiros de Niterói e do Rio são moradores de São Gonçalo — mão de obra qualificada que, por razões nunca explicadas, é impedida de produzir no próprio município.
Ele relembra que a cidade já abrigou indústrias de sardinha, cimento, tintas e metalurgia, que sumiram entre as décadas de 1960 e 1970, deixando um vazio que condena gerações à informalidade e à precarização.
A falta de escolas técnicas e profissionalizantes, a educação pública fragilizada (São Gonçalo amarga más colocações no IDEB) e a ausência de espaços de cultura e lazer — o primeiro teatro municipal só foi inaugurado em 2021 — compõem o cenário de abandono. Para Bitencourt, a cidade precisa ousar no protagonismo político:
"Elegemos pouquíssimos deputados federais, a maioria apadrinhada por prefeitos. Precisamos participar firmemente no cenário estadual e nacional para reindustrializar São Gonçalo com bons empregos e salários dignos."
O ensaio integra a coletânea "São Gonçalo Ontem e Hoje: Ensaios sobre o Futuro", organizada por Oswaldo Mendes e Reinaldo Antonio, com lançamento no dia 6 de abril, em sessão solene na Câmara de Vereadores pelos 447 anos da cidade.
A obra, publicada pela editora Apologia Brasil, reúne reflexões fundamentais sobre a história e os desafios do município.
Tire ainda mais uma provinha do livro ouvindo a "Sonora da Obra" sobre o artigo de Luiz Cláudio Mendonça Bitencourt.
Assista:
Serviço
Título: São Gonçalo Ontem e Hoje: ensaios sobre o Futuro
Organização: Oswaldo Mendes e Reinaldo Antonio
Editora: Apologia Brasil
Páginas: 246
Preço: R$ 60,00 (pré-venda)
Onde encontra (clique): Apolozap (21) 971687756









































Comentários