Pesquisadora analisa o futuro determinado para a juventude trabalhadora de São Gonçalo
- Apologia Brasil

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Doutora em educação, Maria Beatriz Lugão Rios percorre dados e histórias de vida para denunciar a produção sistemática de jovens sem escola e sem trabalho na cidade, mas também aponta espaços de resistência e esperança

"O socorro não chegou para Willian." A frase sobre o jovem de 20 anos, ex-aluno da rede municipal de São Gonçalo, abatido por um atirador de elite na ponte Rio-Niterói em 2019, sintetiza o argumento central do ensaio "Quando o contraponto é viver: o futuro determinado para a juventude trabalhadora de São Gonçalo", da professora e pesquisadora Maria Beatriz Lugão Rios.
A partir de 36 anos em sala de aula, 40 de militância política e pesquisa recente sobre jovens rotulados como "nem-nem", a autora investiga como a cidade produz cotidianamente a exclusão de sua juventude.
Os números do IBGE escancaram a desigualdade: São Gonçalo tem PIB per capita de 25 mil reais, mas a média salarial não ultrapassa 1,8 salários mínimos e 34,5% da população sobrevive com meio salário. Na educação, ocupa o 91º lugar no IDEB entre 92 municípios fluminenses.
É nesse cenário que se inscreve a tragédia de Willian Augusto do Nascimento, morto sob aplausos do então governador Wilson Witzel. E a de João Pedro, 14 anos, assassinado dentro de casa por um tiro de fuzil em 2020. Dados do Instituto Fogo Cruzado apontam São Gonçalo como a cidade mais perigosa para adolescentes no estado, com 47 chacinas mapeadas entre 2016 e 2021.
Mas a violência não é apenas física. A autora denuncia o fechamento de 32 escolas estaduais, a falta de creches que interrompe a formação de jovens mães, e a precarização da rede pública. Pesquisa da Bem TV/UFRJ revelou que 57,8% dos jovens entre 15 e 29 anos não estudam, e 34,7% estão desempregados — taxa superior à da Síria em guerra civil.
A cidade que nos anos 1950 tinha 16 cinemas de rua hoje vê essas salas transformadas em igrejas, substituindo o lazer e a cultura pela expiação. "Viver torna-se um ato de rebeldia, de resistência, de contraponto", afirma.
Ainda assim, a autora localiza espaços de esperança: movimentos culturais da juventude, o retorno aos bancos escolares na EJA e no noturno, e a reinvenção cotidiana de quem insiste em existir.
"A resistência desses jovens, reinventando um cotidiano a contrapelo em uma cidade que lhes destina a exclusão, é uma ação de contraposição a um destino programado. É preciso que o socorro chegue a tempo."
O ensaio integra a coletânea "São Gonçalo Ontem e Hoje: Ensaios sobre o Futuro", com lançamento no dia 6 de abril, em sessão solene na Câmara de Vereadores pelos 447 anos da cidade.
A obra, publicada pela Editora Apologia Brasil, reúne reflexões fundamentais sobre a história e os desafios do município.
Tire ainda mais uma provinha do livro ouvindo a "Sonora da Obra" sobre o artigo de Maria Beatriz Lugão.
Assista:
Serviço
Título: São Gonçalo Ontem e Hoje: ensaios sobre o Futuro
Organização: Oswaldo Mendes e Reinaldo Antonio
Editora: Apologia Brasil
Páginas: 246
Preço: R$ 60,00 (pré-venda)
Onde encontra (clique): Apolozap (21) 971687756









































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