Miguel Moraes, primeiro vereador do PT em São Gonçalo, relata trajetória de luta e resistência
- Apologia Brasil

- há 3 dias
- 2 min de leitura
Em ensaio autobiográfico, ex-vereador e sindicalista compartilha memórias da infância no Gradim, da perseguição nos anos de chumbo, da criação da Cooperativa dos Metalúrgicos e da experiência que resultou na moeda social Mumbuca, em Maricá

"Registrar memória é plantar semente. E São Gonçalo tem terra boa para colher futuro."
É com essa convicção que o ex-vereador Miguel Moraes, primeiro representante do Partido dos Trabalhadores eleito para a Câmara Municipal de São Gonçalo, abre o ensaio "Relatos críticos e históricos do primeiro Vereador do PT eleito de São Gonçalo", no qual reconstitui mais de sete décadas de lutas pessoais e coletivas.
Nascido no bairro do Gradim em 1953, Moraes traz na ancestralidade a mistura de portugueses, indígenas e moçambicanos. O trabalho braçal veio cedo: aos 15 anos, iniciou-se como aprendiz de eletricidade no Estaleiro Mac Laren. Foi no Arsenal de Marinha que, em pleno governo Figueiredo, despertou sua consciência política ao testemunhar injustiças e arbitrariedades.
Fichado como "comunista" e "agitador", enfrentou dois anos de desemprego e chegou a vender linguiça de porta em porta para sustentar a família.
A virada veio com a redemocratização. Em 1983, retornou ao setor naval e iniciou sua trajetória no Sindicato dos Metalúrgicos, forjada nas comissões de fábrica e nos comandos de greve.
Em 1986, foi eleito pela Chapa CUT e passou a representar o setor em fóruns internacionais. Entre 1993 e 1994, estudou modelos de autogestão em Portugal e na Espanha, conhecimento que aplicou em 1995 na criação da Cooperativa dos Trabalhadores Metalúrgicos do Estado do Rio de Janeiro (COOTREMERJ), que se tornou a maior cooperativa de trabalho do estado.
Em 2004, Moraes fez história ao ser eleito o primeiro vereador do PT em São Gonçalo, com 4.733 votos. Na Câmara, realizou audiências públicas sobre Cedae e Ampla (atual Enel), educação e transporte, sempre com a convicção de que o vereador deve articular políticas públicas reais, não atuar como mero despachante de luxo.
Em 2013, a convite do prefeito Washington Quaquá, assumiu a Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania em Maricá e coordenou o grupo que criou a Moeda Mumbuca, hoje referência internacional em moedas sociais. A experiência o fez defender, com unhas e dentes, a criação da Moeda Tamoio em São Gonçalo como instrumento de soberania popular e desenvolvimento local.
O ensaio integra a coletânea "São Gonçalo Ontem e Hoje: Ensaios sobre o Futuro", organizada por Oswaldo Mendes e Reinaldo Antonio, com lançamento no dia 6 de abril, em sessão solene na Câmara de Vereadores pelos 447 anos da cidade.
A obra, publicada pela Editora Apologia Brasil, reúne reflexões fundamentais sobre a história e os desafios do município.
Tire ainda mais uma provinha do livro ouvindo a "Sonora da Obra" sobre o artigo de Miguel Moraes.
Assista:
Serviço
Título: São Gonçalo Ontem e Hoje: ensaios sobre o Futuro
Organização: Oswaldo Mendes e Reinaldo Antonio
Editora: Apologia Brasil
Páginas: 246
Preço: R$ 60,00 (pré-venda)
Onde encontra (clique): Apolozap (21) 971687756









































Comentários