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Ensaio denuncia injustiça ambiental que atinge pescadores artesanais em São Gonçalo

Doutora em Meio Ambiente pela UERJ, Márcia F. Mendes Rosa analisa a degradação da Baía de Guanabara e seus impactos na vida e no trabalho das comunidades pesqueiras do município


Márcia Mendes/Foto: Divulgação
Márcia Mendes/Foto: Divulgação

A vida e o trabalho dos pescadores artesanais da Baía de Guanabara, na região de São Gonçalo, são tema de ensaio aprofundado escrito pela bióloga e educadora ambiental Márcia F. Mendes Rosa. No texto "Os Pescadores artesanais de São Gonçalo em um contexto de Injustiça Ambiental", a autora denuncia como décadas de degradação do estuário, associadas à falta de saneamento e ao avanço de atividades poluidoras, vêm inviabilizando a pesca tradicional e adoecendo comunidades inteiras.


O artigo resgata a memória dos povos originários que habitavam a região — Tupis-Guaranis e Tupinambás — e cujos saberes sobre os ciclos da natureza, as fases da lua, os ventos e as marés foram transmitidos às gerações de pescadores artesanais.


Hoje, porém, a variedade de pescados diminuiu drasticamente: espécies como robalo, pescada amarela, linguado e anchova rarearam, e os botos e golfinhos-cinza, que exigem águas limpas, praticamente desapareceram.


A autora aponta que a Baía recebe diariamente cerca de 18 mil litros de esgoto por segundo, e que a melhoria na balneabilidade observada em praias da zona sul do Rio e de Niterói não chegou a São Gonçalo.


Rios como Alcântara e Guaxindiba foram transformados em valões de esgoto in natura. As praias da Luz, da Beira e de São Gabriel seguem impróprias para banho, privando a população local de lazer e saúde.


Márcia destaca ainda o passivo ambiental deixado pelo antigo Aterro de Itaoca, que contaminou o lençol freático e afetou a vida no manguezal, e a importância da APA de Guapimirim como último refúgio da biodiversidade — um território onde catadores de caranguejo enfrentam lama, lixo, animais peçonhentos e a ausência de políticas públicas.


A pesquisa evidencia o conceito de injustiça ambiental: áreas pobres e periféricas são transformadas em depósitos de dejetos enquanto o lucro gerado pelo modelo econômico predatório não retorna em qualidade de vida para essas populações. Para a autora, a educação ambiental crítica é caminho indispensável, mas insuficiente sem a superação do sistema que degrada pessoas e natureza em nome do lucro.


O ensaio integra a coletânea "São Gonçalo Ontem e Hoje: Ensaios sobre o Futuro", organizada por Oswaldo Mendes e Reinaldo Antonio, com lançamento no dia 6 de abril, em sessão solene na Câmara de Vereadores pelos 447 anos da cidade.


A obra, publicada pela editora Apologia Brasil, reúne reflexões fundamentais sobre a história e os desafios do município.


Tire ainda mais uma provinha do livro ouvindo a "Sonora da Obra" sobre o artigo de Márcia Mendes.


Assista:



Serviço


Título: São Gonçalo Ontem e Hoje: ensaios sobre o Futuro

Organização: Oswaldo Mendes e Reinaldo Antonio

Editora: Apologia Brasil

Páginas: 246

Preço: R$ 60,00 (pré-venda)

Onde encontra (clique): Apolozap (21) 971687756

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