Ensaio clama por políticas culturais que tirem São Gonçalo da invisibilidade artística
- Apologia Brasil

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Compositor e gestor Éric Costa denuncia o descaso histórico com a cultura gonçalense e exalta a resistência de artistas que mantêm viva a cena local apesar da falta de investimento público

"São Gonçalo bem que poderia ser um lugar em que o pluralismo cultural fosse sua mais marcante característica." É com essa afirmação que o compositor e gestor Éric Costa abre o ensaio "São Gonçalo em 'A Invisível dos Visíveis'", no qual percorre as riquezas e contradições da cena cultural da cidade.
Berço da Umbanda — religião de matriz africana fundada por Zélio de Moraes no bairro de Neves —, município com mais evangélicos que católicos segundo o Censo 2022 e terra de talentos como Carequinha, Cláudio Zoli, Buchecha e Orochi, São Gonçalo acumula potenciais que o poder público insiste em ignorar.
O autor denuncia que, embora a praça de Neves tenha sido nomeada "Zélio Fernandino de Moraes" em 2023, a homenagem está muito aquém do que a Umbanda merece. Ele defende o tombamento da casa onde funcionou o primeiro terreiro e a criação de um museu ou memorial, com atividades educativas e eventos que propaguem a cultura de matriz africana.
Costa destaca a "explosão absurda de talentos" que resiste à falta de investimento: artistas que atuam em escolas, ONGs e projetos comunitários formando um "teatro volante" à espera de uma gota d'água para florescer. "Uma criança ou jovem com acesso à política de cultura dificilmente pegará em um fuzil", alerta, criticando o "apartheid cultural" imposto pelas barricadas do tráfico e pela omissão do Estado.
O ensaio exalta a G.R.E.S. Unidos do Porto da Pedra como a maior referência cultural da cidade — "paixão e orgulho de São Gonçalo" —, mas lembra que a escola sobrevive à base da dependência de verbas incertas, enquanto muitos propagam a falsa ideia de que investir em cultura compete com saúde e educação. "Cultura não é custo, é investimento", rebate, citando pesquisas da FGV que comprovam o retorno econômico e social.
O texto presta homenagem a contemporâneos como Rodrigo Santos, Paulinho Freitas, Oswaldo Mendes e Nilda Mendes, e lamenta a perda recente do compositor Fernando Macaco, eterno presidente da Ala de Compositores da Porto da Pedra.
"A palavra desistência não faz parte de nossa caminhada", afirma, sonhando com um futuro próximo em que São Gonçalo seja reconhecida como "a cidade que fomenta cultura".
O ensaio integra a coletânea "São Gonçalo Ontem e Hoje: Ensaios sobre o Futuro", organizada por Oswaldo Mendes e Reinaldo Antonio, com lançamento no dia 6 de abril, em sessão solene na Câmara de Vereadores pelos 447 anos da cidade.
A obra, publicada pela Editora Apologia Brasil, reúne reflexões fundamentais sobre a história e os desafios do município.
Tire ainda mais uma provinha do livro ouvindo a "Sonora da Obra" sobre o artigo de Eric Costa.
Assista:
Serviço
Título: São Gonçalo Ontem e Hoje: ensaios sobre o Futuro
Organização: Oswaldo Mendes e Reinaldo Antonio
Editora: Apologia Brasil
Páginas: 246
Preço: R$ 60,00 (pré-venda)
Onde encontra (clique): Apolozap (21) 971687756









































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