Ensaio aborda os desafios da pessoa com deficiência em São Gonçalo e o direito à cidade
- Apologia Brasil

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Adriana dos Santos Rosa, técnica de enfermagem, assistente social e ativista com mobilidade reduzida, denuncia as barreiras urbanas e o capacitismo que excluem milhões de gonçalenses

O direito de existir, circular e pertencer à cidade é diariamente negado às pessoas com deficiência em São Gonçalo. Essa é a denúncia central do ensaio "Direito à Cidade e Acessibilidade: desafios da Pessoa com Deficiência em São Gonçalo", escrito por Adriana dos Santos Rosa, mulher com mobilidade reduzida, servidora pública e ativista dos direitos humanos.
A partir de uma abordagem autobiográfica, a autora articula sua vivência às análises teóricas e legais, evidenciando como a ausência de políticas públicas efetivas e o capacitismo estrutural violam direitos constitucionais.
Ela lembra que, embora o Brasil tenha 45 milhões de pessoas com deficiência (cerca de 24% da população), São Gonçalo sequer possui um diagnóstico local que identifique quantas são, onde moram e quais barreiras enfrentam. "Essa ausência de dados é, por si só, uma forma de exclusão: o poder público não enxerga aquilo que não mede", afirma.
O texto percorre as dificuldades cotidianas: ruas esburacadas, calçadas quebradas, ônibus sem adaptação, prédios públicos inacessíveis. Denuncia o funcionamento precário do Conselho Municipal de Direitos da Pessoa com Deficiência (COPEDE) e aponta que a Lei Municipal nº 901/2018, embora importante, carece de fiscalização e execução.
Adriana também adota a perspectiva interseccional para mostrar como gênero, raça e classe se entrelaçam: "A mulher negra com deficiência enfrenta múltiplas exclusões: o machismo, o racismo e o capacitismo".
Apesar do cenário crítico, ela destaca iniciativas como a Residência Inclusiva no Jardim Catarina, o Centro de Referência em Autismo no Gradim e instituições como APAE, CADEVISG e CEREI, que atuam na reabilitação e inclusão, mas carecem de uma política pública integrada.
O ensaio conclama a sociedade e o poder público a enxergarem a acessibilidade como justiça social: "As pessoas com deficiência não querem piedade — querem respeito, autonomia e voz. Uma cidade acessível é uma cidade para todos".
O texto integra a coletânea "São Gonçalo Ontem e Hoje: Ensaios sobre o Futuro", organizada por Oswaldo Mendes e Reinaldo Antonio, com lançamento no dia 6 de abril, em sessão solene na Câmara de Vereadores pelos 447 anos da cidade.
A obra, publicada pela Editora Apologia Brasil, reúne reflexões fundamentais sobre a história e os desafios do município.
Tire ainda mais uma provinha do livro ouvindo a "Sonora da Obra" sobre o artigo de Adriana Rosa.
Assista:
Serviço
Título: São Gonçalo Ontem e Hoje: ensaios sobre o Futuro
Organização: Oswaldo Mendes e Reinaldo Antonio
Editora: Apologia Brasil
Páginas: 246
Preço: R$ 60,00 (pré-venda)
Onde encontra (clique): Apolozap (21) 971687756
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