Comunicadora Cris Souza propõe reflexão sobre memória, identidade e território em São Gonçalo
- Apologia Brasil

- há 1 dia
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Autora articula suas múltiplas atuações — no Serviço Social, na produção cultural e na licenciatura em História — para desafiar a narrativa hegemônica de carência e violência que apaga as lutas cotidianas e a cultura urbana da cidade

"Ah, mas São Gonçalo não tem memória." A frase, ouvida e reproduzida até por seus habitantes, é denunciada pela assistente social, produtora cultural e comunicadora Cris Souza como sintoma de um epistemicídio territorial.
No ensaio "Memória, Território e Identidade em São Gonçalo: um ensaio a partir de vivências situadas", a autora — mulher negra periférica, idealizadora do videocast "Vozes Femininas" (hoje programa na rádio Aliança FM transmitido pelo seu canal no YouTube) e licencianda em História pela FFP-UERJ — propõe uma reflexão crítica sobre os processos que constituem a memória coletiva e a identidade gonçalense.
A partir das teorias de Joël Candau, Paulo Freire e Milton Santos, Cris Souza articula suas experiências em três frentes. No Serviço Social, atuando no Serviço de Família Acolhedora da rede municipal, testemunhou a materialização das carências históricas — falta de saneamento, transporte precário, violência — mas também a cidade da resistência cotidiana: redes informais de apoio, solidariedade comunitária, saberes populares.
"Essa memória, muitas vezes dolorosa, é também memória de agência e de luta coletiva", afirma.
Na produção cultural, o videocast "Vozes Femininas" surge como espaço de escuta e amplificação das experiências de mulheres gonçalenses, registrando narrativas silenciadas e fortalecendo uma identidade feminina territorializada.
A autora relembra ainda o impacto transformador de assistir a um ensaio da Unidos do Porto da Pedra:
"O samba, com sua matriz banto, era a protomemória convertida em ritmo e corpo coletivo. Era a memória subterrânea ocupando com orgulho as ruas da periferia."
Na licenciatura em História na FFP-UERJ — única instituição pública de ensino superior do município —, a autora encontra as ferramentas para a leitura crítica do mundo, desvendando o presente a partir das "vozes do tempo" que o poder tentou apagar.
"Estudar História dentro do próprio território, sob a inspiração de Paulo Freire, é engajar-se num processo de conscientização libertária."
Cris Souza conclui que memória, identidade e território são conceitos indissociáveis e em permanente construção.
"A libertação de São Gonçalo do jugo da narrativa negativa passa pela recuperação coletiva de sua memória plural. Passa por entender que o território é também feito dos afetos, dos sons, das danças, das escritas, das lutas e da cultura pulsante de seu povo."
O ensaio integra a coletânea "São Gonçalo Ontem e Hoje: Ensaios sobre o Futuro", com lançamento no dia 6 de abril, em sessão solene na Câmara de Vereadores pelos 447 anos da cidade.
A obra, publicada pela editora Apologia Brasil, reúne reflexões fundamentais sobre a história e os desafios do município.
Tire ainda mais uma provinha do livro ouvindo a "Sonora da Obra" sobre o artigo de Cris Souza.
Assista:
Serviço
Título: São Gonçalo Ontem e Hoje: ensaios sobre o Futuro
Organização: Oswaldo Mendes e Reinaldo Antonio
Editora: Apologia Brasil
Páginas: 246
Preço: R$ 60,00 (pré-venda)
Onde encontra (clique): Apolozap (21) 971687756









































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