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Em 'Meu Lugar', contos e crônicas sobre uma pitoresca São Gonçalo


A Editora Apologia Brasil possui em seu catálogo título produzido pelo jornalista Helcio Albano, que faz parte do selo Cadernos do Leste, que conta um pouco do olhar do autor carioca, sobre a cidade de São Gonçalo.

Com apresentação do professor, geógrafo e urbanista Mauricio Mendes, e prefácio do professor, poeta e escritor Edson Amaro, a obra possui crônicas e contos curtos que abrange o comportamento, cultura e política.

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Prefácio - Por Edson Amaro

POR EDSON AMARO

Todo mundo que conhece Helcio Albano conhece Antonio Gramsci. Não, Helcio Albano não mora num país maravilhoso em que todo mundo cursa a Universidade e discute Filosofia em mesa de bar ao invés de assistir futebol, ir à missa ou ao baile funk. É que quem conversa com Helcio, tão certamente quanto o Sol se levantará amanhã, ouvi-lo-á falar de Gramsci repetidas vezes. E nem mesmo a Irmã Dulce se esforçou tanto por seguir o Sermão da Montanha quanto Helcio se esforça por seguir os ensinamentos do filósofo italiano.

“Canta a tua aldeia e serás universal”, essa frase famosa, cuja paternidade é atribuída às vezes a Tolstói, outras a Vitor Hugo ou ainda a Alexandre Dumas, bem poderia ser a epígrafe desta publicação. Desde que vivo em São Gonçalo (nasci no Rio Grande do Norte e cheguei aqui quando o presidente da República chamava-se João Figueiredo), estou acostumado a não ver São Gonçalo na mídia – e desde que me lembro de televisores ligados na minha frente, assisti noticiários junto aos meus pais. Fico pasmo quando constato que meus alunos adolescentes não têm a mínima ideia do que venha a ser Mercosul ou de que existam seres como Elisabeth II ou José Sarney – seu equivalente tupiniquim, pois o senador está quase há tanto tempo na política brasileira quanto ela nos tronos do Commonwealth. (Aliás, acompanhando durante tantos anos o noticiário político e vendo como se conservam as oligarquias, de vez em quando eu tenho que verificar as cédulas que carrego no bolso para ter a certeza de que o regime ainda é republicano.) O Brasil só volta suas câmeras para São Gonçalo quando algo de ruim acontece, como quando o Fantástico mostrou um esquema de corrupção na Câmara Municipal no governo Charles e a gente passava pela prefeitura e via carro da Globo estacionado em frente: durante algumas semanas, viramos a capital nacional da corrupção – que alívio para a galera de Brasília. Ou quando o adolescente Alexandre Ivo foi trucidado num crime de ódio em plena Copa do Mundo de 2010. Daí a urgente necessidade de publicações como esta, em que um intelectual da cidade dá um polimento à prata da casa e garimpa os valores da cidade.

Na crônica “Não pego ninguém do Rocha”, Hélcio comenta, valendo-se de um contexto católico, que o povo de São Gonçalo vê a sua cidade como um Purgatório, que as pessoas querem melhorar de vida para sair daqui. São Gonçalo precisa viver aquela experiência revigorante que a personagem Hannah, interpretada por Paulette Goddard tem em O Grande Ditador. Após entregar-se aos cuidados do barbeiro judeu vivido por Chaplin, olha-se no espelho e exclama: “Nossa! Eu sou bonita!” São Gonçalo precisa que alguém convença seus habitantes da mesma coisa. É por essa necessidade que precisamos aplaudir o empenho de intelectuais e artistas como Helcio Albano, Rodrigo Santos, Romulo Narducci, André Correia, Levi Alucinação, Romário Régis, Jó Siqueira, Osvaldo Luiz Ferreira, Randal Farah, Altahy Veloso, o saudoso Aluçã (a quem Helcio chama de “monumento ao talento e à bravura do povo”) e tantos outros que teimam em produzir arte em São Gonçalo.

O empenho de Hélcio já se fez ouvir no meio acadêmico quando, estudante da FFP-UERJ, no Paraíso, criou, junto com Joyce Braga e outros destemidos, o jornal Apologia, que chamou a atenção do campus para o alto nível das reflexões feitas naquele órgão, discutindo São Gonçalo de cabeça erguida. Essa ousadia ramificou-se no Projeto Alternativo, que André Correia, outra figura presente nestas páginas, toca adiante. Frutifica agora nestes Cadernos do Leste, uma série que se tornará uma referência para quem se propuser a estudar São Gonçalo quando estas páginas amarelecerem. Quem ler esta publicação convencer-se-á do que predigo.

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