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Boana: memória dos bairros de Niterói

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Boana: memória dos bairros de Niterói, de Erick Bernardes, é uma coletânea de crônicas que recupera histórias, lendas e topônimos da “Cidade Sorriso” – Niterói (RJ). O título, que designa peixes miúdos como manjubinhas, homenageia o Mercado de São Pedro, espaço afetivo da infância do autor. Com 40 capítulos, o livro percorre bairros como Fonseca (batizado em homenagem a um médico do século XVII), Icaraí (origem tupi e o mítico trampolim), Piratininga (“peixe seco”), Gragoatá (planta fibrosa e a dura lição de um pescador), Ilha de Mocanguê (“grelha de tostar”), Sapê (tocha de iluminação), Pendotiba (“sítio das pindobas”), Matapaca (caça ao roedor), Cafubá (gado de cara cinza, de origem africana), Cubango (paredão negro tupi e influência banto), Jurujuba (pescoço amarelo e a procissão de São Pedro de moto), Engenhoca (engenho menor de farinha), Armação (caça às baleias e produção de óleo), Bairro de Fátima (antiga Chácara do Vintém e a querela religiosa), Viradouro (Zé do Lápis e a grilagem de terras), Vila Progresso (imigração inglesa), Caramujo (ruas sinuosas e uma só entrada), Morro do Vintém (o macabro caso das máscaras de chumbo), Chibante (pássaro, mineração e visita de Getúlio Vargas), Largo da Batalha (três versões – indígenas, carnaval ou ex-combatentes do Paraguai), Engenho do Mato (Quilombo do Grotão e a passagem de Charles Darwin), Ponto Cem Réis (antigo bairro Santana e a tarifa do bonde), Pé Pequeno (apelido jocoso e cana-de-açúcar), Morro do Céu (de paraíso agrícola a lixão), Maceió (migração alagoana), Horto do Barreto (traquinagens de infância, o primeiro beijo e o teatro), Campo de São Bento (o rosto de Cristo numa palmeira), Itaipu (“pedra onde a água faz barulho” e um casal de namorados feios), Buraco Quente (topônimo popular por brigas de vizinhança), Morro do Castro (déjà vu e uma corrente com a letra “E”), Baldeador (ponto de baldeação de tropas e o professor bêbado), Castelo da Armação (Conde Pereira Carneiro e o palacete medieval), Camboinhas (do arbusto ao navio encalhado), Praia do Barreto (memórias de família e o frei Barreto), São Francisco (tradição médica jesuítica) e Ponta d’Areia (Portugal Pequeno e a nostalgia lusitana). Com base em oralidade, caminhadas e pesquisas em obras de Luís Antônio Pimentel, Irma Lasmar e outros, Bernardes oferece um retrato afetivo e crítico da cidade, onde a memória pessoal se entrelaça com a história coletiva.

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