A indústria gonçalense no século XX
No livro A Indústria Gonçalense no Século XX: origens e processos, José Luís Honorato Lessa desconstrói a narrativa de que São Gonçalo teria se desindustrializado após os anos 1960. Com base em farto material censitário, arquivos públicos e imprensa regional, o autor mostra que o declínio do polo de Neves – com suas fábricas de cimento, vidros e metalurgia – deu lugar a uma reestruturação e reespacialização da indústria para os eixos de Alcântara, Tribobó e Arsenal. Emergem então pequenas e médias empresas de confecção (a moda jeans), laboratórios farmacêuticos (B. Braun, Ranbaxi) e setores de alimentos e bebidas. O livro também examina a atuação ufanista dos jornais locais (O São Gonçalo, A Gazeta), que projetavam progresso mesmo em meio às transformações. Ao rebater a tese da crise absoluta, a obra reposiciona São Gonçalo como um dos mais importantes parques industriais fluminenses até os anos 1980, oferecendo uma leitura fundamental para a história econômica regional.

